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O enfermeiro
Machado. Um Conto · Conto 3

O enfermeiro

Narração

Conto “O enfermeiro”, de Machado de Assis, publicado na Gazeta de Notícias, em 13 de julho de 1884, com o título "Cousas íntimas", presente no livro Várias Histórias (1896), lido por Eugênia Fraietta.

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Conversa — Entrevista com Rafael Gargano

A esta altura, já dá pra ter como procedimento de leitura desconfiar do narrador machadiano, sim? Procópio começa seu relato com “Parece-lhe, então, que o que se deu comigo em 1860 pode entrar numa página de livro?”, pedindo aval do ouvinte-leitor, estabelecendo intimidade com sutileza, para, em seguida, estocar: “Vá que seja, com a condição única de que não há de divulgar nada antes da minha morte.” O que esse camarada tem para nos contar que precisa da proteção da sua própria morte? Como se não bastasse, quase que compulsoriamente, nós leitores de boa vontade, já recebemos uma espécie de herança: “Pediu-me um documento humano, ei-lo aqui. Não me peça também o império do Grão-Mogol, nem a fotografia dos Macabeus; peça, porém, os meus sapatos de defunto e não os dou a mais ninguém.” Calçados com os sapatos do defunto, cá estamos nós com um “documento humano” como se o fato de ser “humano” justificasse o teor do documento, que precisa ser protegido pela morte de seu autor. Você concordou, ouvinte, encorajou Procópio, agora, aguente: conto de confissão? Conto de mistério? Ou conto sobre a complexidade das motivações, a legitimidade dos ganhos financeiros e o contorcionismo da consciência? Faremos ou não um túmulo de mármore para Procópio José Gomes Valongo? Para essa conversa mais que espinhosa, nós convidamos o Rafael Gargano, doutor em Filosofia e professor de filosofia. Rafael propôs uma conversa em torno da constituição da moralidade; discutimos a falácia cínica da pergunta do narrador Procópio: “Crime ou luta?” e seus desdobramentos como má fé, ética deformada, relativização, legado e o velho embate (machadiano) entre consciência e interesse.

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