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Sem olhos
Machado. Um Conto · Conto 8

Sem olhos

Narração

Conto “Sem olhos”, de Machado de Assis, publicado no Jornal das Famílias em dezembro de 1876 e em janeiro e fevereiro de 1877, presente no livro Contos na Imprensa - Fase 5 (1876- 1877), lido por Eugênia Fraietta.

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Conversa — Entrevista com Adérito Schneider

O narrador convoca seis personagens para um chá amigável: os anfitriões - casal Vasconcelos -, o Sr. Bento Soares e sua esposa, Dona Maria do Céu, o bacharel Antunes e o Desembargador Cruz. O leitor não espera muito para que o Desembargador Cruz tome a narrativa e comece a contar uma história de seu passado com o intuito de provar seu ponto: a existência de fantasmas não pode ser absolutamente negada. A certa altura de sua história, um seu personagem lhe toma a narrativa: Damasceno Rodrigues, seu vizinho de quarto daqueles tempos de estudante, “alquebrado e encanecido”, entre simpático e lunático. Machado que cria um narrador que cria o Desembargador Cruz que conta a história que ouviu de Damasceno que via uma fantasma. Por meio dessa “quadrilha” de narradores, Machado oferece um conto entre cautelar e fantástico, entre fáustico e sobrenatural: história de fantasma ou advertência aos perigos do adultério? resgate de uma memória de juventude ou pura invencionice de um jovem disposto a conversar com o próprio diabo para escrever uma novela? censura ou denúncia? É Damasceno quem inventa a fantasma ou é o Desembargador Cruz quem inventa Damasceno que inventa a fantasma? Para este episódio, nosso convidado é o Adérito Schneider, jornalista de formação, professor do curso de cinema e audiovisual do IFG, escritor e sommelier de narrativas de terror e mistério. Conversamos sobre o conto de mistério e terror, sobre narrativas em moldura, sobre a função do medo e da loucura, sobre a ambiguidade do fantasma, sobre quantos clímax um conto pode ter e, sobretudo, sobre como Machado lida com toda essa tradição e entrelaça esses elementos neste conto que mais parece um redemoinho. Ficar tonto faz parte, ouvinte.

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