
Um homem célebre
Narração
Conto “Um homem célebre”, de Machado de Assis, publicado na Gazeta de Notícias, em 29 de junho de 1888, presente no livro Várias Histórias (1896), lido por Victor Creti.
Ouvir no Spotify →Conversa — Entrevista com Raquel Campos
Como pode um músico, no caso, nosso protagonista, Pestana, não estar exultante com a sua celebridade? Como pode um compositor de polcas reconhecido publicamente, até assediado em festas privadas, não estar satisfeito, realizado? Como pode um compositor de polcas de sucesso fugir da própria criação enquanto sua criação o persegue? Neste conto (pra lá de célebre, aliás), Machado apresenta questões que atravessam e complicam o tema de celebridade: a problemática do reconhecimento, no caso de um músico, e do desgosto com este reconhecimento. Já conhecemos Pestana neste quadro um tanto contraditório, “vexado e aborrecido” exatamente por ter sido reconhecido por uma fã, Sinhazinha Mota. Por que um músico não ficaria satisfeito com o reconhecimento? O que torna a celebridade indesejada, incômoda para nosso tocador de polcas quando tantos intérpretes, músicos e compositores tentavam alcançá-la? Nossa convidada, a historiadora Raquel Campos, trouxe uma discussão sobre a forma histórica da celebridade, uma nova forma do renome, chamando a atenção para a distinção entre o renome célebre e a reputação, a glória e a notoriedade. Falamos sobre como o próprio Machado se popularizou, sobre a precariedade da celebridade e sobre ser reconhecido por quem não tem nenhum motivo de conhecer a celebridade. Ela nos chama a atenção para o fato de que esse tema está presente em outras personagens como Fulano (do conto homônimo), o pai de Janjão (de Teoria do Medalhão), Inácio Ramos (de O machete), Luís Tinoco (de Aurora sem dia) e, claro, Brás Cubas.
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